Por Josi Zanette do Canto
Leciono a disciplinada geografia na rede estadual de Santa
Catarina há aproximadamente 12 anos. Como ainda sou professora
temporária, todos os anos trabalho em escolas diferentes. Nesse
contexto, acabei tento contato com muitos alunos de ensino fundamental 2
e médio que apresentam algo em comum: o grande desinteresse nas aulas.
Considerando todas as mudanças que as tecnologias digitais
trouxeram para a vida desses educandos, é compreensível que eles não
queiram aprender como seus pais, afinal, os nativos digitais aprendem de
diversas formas e não ficam satisfeitos em ser meros receptores. Mesmo
sendo proibido pelas regras, eles estão sempre com o celular na mão.
Buscando inovar e principalmente utilizar as tecnologias
digitais, algo tão presente na vida dos educandos, elaborei no primeiro
bimestre um projeto com a turma do último ano do ensino fundamental 2
chamado “Aplicativo mobile – conhecendo a Europa”. Nós não temos livros
didáticos para todo mundo na escola e muitas vezes o aluno não consegue
levar um conteúdo para estudar em casa porque não tem o livro. Então, o
objetivo dessa proposta foi construir um aplicativo mobile sobre o
continente europeu com o conteúdo curricular que deve ser desenvolvido
ao longo do ano.
A ideia surgiu após eu ter começado, no segundo semestre de 2014,
uma segunda especialização, chamada “Educação na Cultura Digital”,
oferecida UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) em parceria com a
PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), que busca
preparar o professor para esse novo aluno que aprende de uma maneira
diferente.
O aplicativo em si não foi desenvolvido pela gente. Existe uma
plataforma online chamada Fábrica de Aplicativos, que é bem fácil de
usar e não precisa de nenhum conhecimento de programação, mas já serve
para introduzir o aluno a esse mundo. Na primeira etapa, dividimos a
sala em pequenos grupos, onde cada um deveria fazer pesquisas em
diversas mídias, sempre com o meu direcionamento, a respeito de
hidrografia, relevo, divisão regional, clima, curiosidades entre
outros.
Criamos uma pasta no Google Docs, na qual compartilhamos com o
todos material produzido em textos, vídeos e imagens. Fui corrigindo e
orientando o que estava certo ou não. Sempre que possível, nos horários
extraclasse, nos reuníamos virtualmente para debater os conteúdos. No
grupo do Facebook, usamos o recurso de enquete para que eles escolhessem
as imagens e saber o que estavam achando dos textos e como poderíamos
melhorá-los.
Os benefícios foram vários, começando pelo envolvimento de grande
parte dos alunos na busca pelos conceitos geográficos. Na verdade, os
educandos foram os verdadeiros autores de seus significados e, através
da minha mediação, chegamos a um grande objetivo, o app.
Nós estamos na metade do segundo mês de greve de professores aqui
no estado e a escola está fechada. Eu continuo em contato com os alunos
via Facebook e WhatsApp e a gente ainda está construindo o aplicativo. O
trabalho já tinha até terminado, eles haviam entregado tudo, mas
acharam que poderia ter ficado melhor. Mesmo em casa, eles incluem
links, melhoram o texto e organizam as imagens.
Nossa intenção é finalizar esse trabalho antes das férias de
julho. Qualquer pessoa vai poder baixar o aplicativo. De repente, um
aluno do segundo ano do ensino médio que queira tirar dúvida sobre a
Europa também vai poder se informar. A intenção não é produzir o
conteúdo apenas para aquele grupo de 9º ano, mas compartilhá-lo até com
outras escolas e, como eles dizem, com o mundo! A gente sabe que isso é a
tendência do século 21.
Fonte: Porvir
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