A engenharia acompanha o homem desde suas origens. A obtenção do
fogo, de vestimentas, habitações e o tratamento de metais para a
construção de armas e ferramentas permitiram a sobrevivência da espécie.
Os romanos construíram aquedutos, estradas,
barragens, pontes, sistemas de distribuição de águas e de coleta de
esgotos e palácios, antes da física se estabelecer como ciência.
A atividade da engenharia era vista como intelectualmente menor,
própria dos artífices e artesões, que passavam seu conhecimento sem
preocupação com sistematização ou metodologia. Pertencia ao mundo dos
trabalhadores braçais, e os intelectuais preocupavam-se com questões
filosóficas e metafísicas.
Os exércitos, entretanto, perceberam a importância da engenharia para
as batalhas e a arte de construir passou a ser sistematizada, com seu
ensino incorporado ao treinamento de oficiais de maior patente.
As escolas de navegação foram decisivas para os descobrimentos, nos
século 15 e 16. O domínio das técnicas de construção naval e da prática
de conduzir navios tornou-se essencial para as nações que procuravam
expandir suas fronteiras e buscar riquezas.
Essa era a engenharia até o final do século 17: técnicas de
construção de pontes, dutos, armas e navios, reproduzindo os traços
empíricos herdados das gerações anteriores, restritas ao âmbito militar.
Nessa época, as Leis de Newton, que haviam sido propostas no início
do século 18, deixaram de ser vistas como filosofia da natureza, sendo
incorporadas aos trabalhos de engenharia, que ganharam contornos de
sistematização, com as construções sendo pensadas como projetos.Nesse
contexto nasceu a primeira escola superior brasileira: a Escola Naval.
No início do século 19, Dom João VI, ao transferir a corte portuguesa
para o Brasil, trouxe a Escola Naval de Portugal, que aqui se
estabeleceu.
Em 1747, em Paris, nasceu a primeira escola de engenharia não
militar, a “École Nationale des Ponts et Chaussée”, seguida de outras
escolas civis, em toda Europa. O ensino passou a combinar os
conhecimentos empíricos com as bases científicas da mecânica.
A entrada do século 19 ficou marcada pela combinação das novas
descobertas da física com as inovações propiciadas pelo desenvolvimento
das máquinas. A engenharia, que sempre esteve ao lado da matemática,
juntou-se à física e à química, exigindo formação ampla, além do
empirismo.
O progresso tecnológico, aliado ao positivismo, foi responsável pelo
surgimento de novas escolas em todo o mundo, agregando o “tec” como
prefixo ou sufixo. No Brasil, entre 1890 e 1910, várias escolas
politécnicas foram criadas, combinando base científica com aplicações de
natureza industrial.
O século 20 ficou marcado pelos grandes progressos originários da
combinação ciência-tecnologia: automóveis, aviões, computadores, trens
de alta velocidade, instrumentação cirúrgica, ida do homem à Lua, são
frutos da imaginação e da inovação.
Aprender engenharia no século 20 implicava conhecimento vasto,
diversificado, requerendo fortes pendores para cálculos e projetos,
desenhados sobre pranchetas, em papel vegetal, com tinta nanquim.
Aulas expositivas intermináveis, laboratórios estafantes e noites de execução de projetos em casa eram o dia a dia do aprendiz.
Os engenheiros assim formados começaram a construir o século 21, com
novos desafios sociais, além dos tecnológicos. O conteúdo a ser
conhecido aumentou.
Não dá para entender o funcionamento do GPS sem conhecimento, ao
menos rudimentar, de Teoria da Relatividade. Dizem que os computadores
serão quânticos e a física do século 20 será essencial para a engenharia
do século 21.
As novas tecnologias afetam substancialmente os métodos de ensino,
transformando o trabalho em sala de aula em discussões que enfatizam as
interpretações conceituais e a análise de resultados, uma vez que os
procedimentos de cálculo ficam cada vez mais automatizados.
A atividade presencial deve explorar abordagens mais dinâmicas, voltadas a projetos, incentivando os trabalhos em equipe.
A inserção efetiva da engenharia na sociedade brasileira, entretanto,
só ocorre se os estudantes são submetidos, durante sua formação, a
problemas baseados em desafios reais.
Projetos e aulas devem ser combinados com atividades em comunidades,
centros industriais e urbanos, desenvolvendo soluções para questões como
uso da água, aproveitamento energético, mobilidade urbana e segurança. O
resultado é a formação de profissionais atuantes, em benefício da
sociedade.
Fonte: Porvir
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