Flexibilização é a nova palavra de ordem em grande parte dos
ambientes de trabalho. Segundo especialistas, empresas estão tendo que
se adaptar às demandas dos profissionais contemporâneos, que podem ter
origem nos avanços da tecnologia móvel, ou mesmo nas características da
rotina de quem mora em uma cidade grande, por exemplo.
Essa flexibilização ocorre tanto no horário de trabalho como no
espaço e na autonomia dos funcionários. Segundo Alexandre Teixeira,
especialista em felicidade no trabalho, uma forte tendência que está
crescendo é chamada de Rowe (Results Only Work Environment, em inglês),
algo como ambiente de trabalho de resultados, uma estratégia de recursos
humanos na qual a empresa deixa de controlar o horário e o local de
trabalho dos funcionários focando apenas no resultado – o que importa é a
qualidade do trabalho e o cumprimento de prazos e metas.
“As pessoas querem fazer suas próprias agendas, não querem ir para o
trabalho todos os dias, enfrentar trânsito das metrópoles, ainda mais se
podem realizar o mesmo trabalho de casa. Estudos têm comprovado que o
home office aumenta a produtividade em mais de 10%”, explica Teixeira.
Marcelo Braga, sócio da Search RH, aponta que dar mais autonomia para
os empregados diminui a rotatividade no quadro de funcionários, um
grande problema que as empresas enfrentam. “A gestão do tempo para o
funcionário é algo muito positivo. Poder levar os filhos na escola,
evitar sair em um horário de maior trânsito, ou mesmo poder cuidar de
assuntos pessoais aumenta a qualidade de vida e a satisfação com o
trabalho. Dar mais autonomia é uma forte ferramenta de retenção”.
Teixeira afirma que isso também favorece profissionais mais inquietos
e dinâmicos a permanecerem mais tempo na mesma empresa. “Antigamente as
empresas queriam disciplina, hoje elas querem criatividade. Geralmente
os funcionários mais criativos são os mais inquietos e ao dar mais
liberdade e autonomia é mais fácil segurar esse tipo de profissional”.
Segundo o especialista, é uma questão de tempo de adaptação para que
empresa, chefes e funcionários vejam os benefícios da flexibilização.
“Assim que os resultados aparecem todos passam a confiar mais no
processo, os funcionários ganham em qualidade de vida e a empresa com o
aumento da produtividade. Todos ganham”, ressalta o especialista.
Para os gestores que não se sentem seguros ou desconfiam dos
empregados quando não estão os vendo trabalhar, Braga afirma que existem
recursos que podem auxiliar nesse processo. “Hoje existem ferramentas
que ajudam o gestor a controlar a equipe mesmo quando o funcionário está
fazendo home office. Além disso, se este funcionário tiver metas bem
estruturadas, adequadas ao seu cargo e capacidade, o gestor não precisa
fazer um controle intensivo”, argumenta.
Ambos especialistas afirmam que o maior desafio para a disseminação
de ambientes de trabalho mais flexíveis no Brasil é a CLT (Consolidação
das Leis de Trabalho), que reforça que as empresas tenham controle da
produção, jornada e local de trabalho de seus funcionários. “A lei
trabalhista é muito arcaica, é de 1943. O mundo corporativo teve que
encontrar outras formas dentro da lei para se adaptar a demanda atual.
Vemos muitas áreas de empresas virarem terceirizadas e também muitos ‘Eu
S/A’ trabalhando por conta”, afirma Braga.
Segundo o especialista em felicidade no trabalho, esse modelo já é
comum em startups e empresas voltadas para tecnologia e internet, onde
grande parte do quadro de funcionários é formado por jovens. “Quando
grandes empresas começarem a adotar isso mais frequentemente, vão gerar
um efeito de demonstração importante para a disseminação dessas
práticas”, completa.
Fonte: Porvir
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