Como alunos de projetos inovadores de educação enxergam a própria
escola? Na tentativa de mostrar essas experiências a partir da
perspectiva infantil, o canal de TV online PEDAL – Pedagogias Alternativas
irá compartilhar conteúdos protagonizados por crianças e adolescentes.
Durante um ano serão produzidos 365 programas que irão retratar o que
está acontecendo de diferente no mundo da educação. A proposta é que o
projeto sirva como um veículo de jornalismo escolar, cinema infantil e
educação inovadora.
Idealizado pelo educador midiático Anderson Lima, que foi diretor do documentário Quando Sinto que Já Sei,
o projeto é desenvolvido com a colaboração da produtora Samara
Monteiro, que atua na operação de som e edição vídeos. Na indicação de
projetos educacionais inovadores para um dos quadros da web TV também
colabora o jornalista André Gravatá, um dos autores do livro Volta ao Mundo em 13 Escolas.
“Eu sempre pensei que as crianças falam com muita naturalidade quando
contam e divulgam o que acontece nessas escolas. Elas não entendem que
tem um processo diferente acontecendo lá”, conta o idealizador Anderson
Lima. Segundo ele, ouvir alunos que estão inseridos em projetos
inovadores de educação consegue trazer mais legitimidade ao discurso dos
especialistas, já que eles têm propriedade para se apropriar daquilo
que estão vivenciando.
Para desenvolver o projeto e compartilhar os conteúdos em um canal
online, foram escolhidas três instituições: o Projeto Âncora, em Cotia; a
EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Campos Salles, no bairro
de Heliópolis, região sudeste de São Paulo; e a Escola Oficina
Pindorama, em Vargem Grande Paulista, região metropolitana. De acordo
com Anderson, esses projetos foram selecionados pensando em diferentes
modelos, que incluem uma ONG, uma escola particular e uma pública.
‘Eu sempre pensei que as crianças falam com muita naturalidade quando
contam e divulgam o que acontece nessas escolas. Elas não entendem que
tem um processo diferente acontecendo lá’
Os conteúdos divulgados na web TV serão originados por projetos que
estão sendo desenvolvidos com os alunos dessas instituições. O primeiro é
o GEMA (Grupo
Escolar de Mídia Alternativa), onde é desenvolvida uma oficina
permanente de jornalismo escolar para mostrar o que é feito de diferente
em cada projeto, porém, sempre pensando em manter a essência infantil e
o caráter espontâneo. “Eu tento construir bastante com os alunos como
irão fazer as perguntas sem tentar ser adulto. Eles vão desenvolver uma
própria linguagem jornalística”, explica.
Na oficina Pintando o Set
serão reproduzidas cinematograficamente as vivências da infância, onde
os alunos se transformam em atores de cinema, vídeo e web séries. A OPALA
(Oficina de Produção e Alfabetização Audiovisual) também dará origem a
produções do canal online, fazendo com que as crianças se apropriem de
processos de produção audiovisual.
“A coisa mais mágica para mim é ver uma criança assistindo ao próprio
trabalho que ela fez”, destaca. Segundo Anderson, o recurso audiovisual
é uma boa vivência para que esses alunos se encantem e tenham vivência
naquilo que estão construindo. “Quando as crianças de 4 estiverem com
40, elas não vão conseguir se lembrar exatamente do momento em que
produziram o vídeo, mas ao assistir terão a sensação daquele momento.”
Por enquanto o projeto já conta com alguns episódios disponíveis em um canal no Youtube.
A intenção é que esses conteúdos sejam disponibilizados em Creative
Commons para download, sendo possível compartilhar, fazer modificações
ou usar apenas trechos. “Não existe nenhum tipo de vaidade autoral, nem
da minha e nem dos alunos”, destaca o educador midiático.
Diferentes quadros irão compor o canal online: O que é que tem?
divulga o cotidiano dos projetos e atividades realizadas dentro das
escolas; Ancorando Autonomia traz entrevistas conduzidas por crianças e
adolescentes; Pedalando documenta iniciativas de educação inovadoras;
Des-cionário apresenta episódios com depoimentos de crianças sobre como
elas definem determinadas palavras de acordo com o seu repertório; Hora
do Recreio é uma web série que mostra momentos de liberdade das crianças
e suas brincadeiras; Profissão Criança brinca com o faz de conta e
mostra o que cada criança gostaria de ser; e Des-escola satiriza
absurdos encontrados nas escolas de modelo convencional.
Para produzir os conteúdos e organizar uma plataforma que irá compartilhar os programas, o projeto está captando recursos no Catarse.
Ele precisa atingir R$ 41.500 até o dia 19 de maio para conseguir ser
financiado. Os apoiadores podem contribuir com valores a partir de R$
20. Como contrapartida eles recebem menções no site do projeto, DVDs com
conteúdos dos episódios, workshops de jornalismo escolar e a possibilidade de ter a sua instituição documentada em uma série de quatro
reportagens.
Fonte: Porvir
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