Anotem três palavras: personalização, experimentação e
tecnologia. Agora, assumam uma compreensão ampla de cada um desses
termos. É mais ou menos orbitando em torno desses três conceitos que as
inovações educacionais de 2014 devem aparecer. Para chegar a essa
conclusão, perguntamos a especialistas em educação de diversas áreas: o
que devemos esperar da educação em 2014? Não servia dizer o que cada um
gostaria que acontecesse ou o que há de mais vanguardista na educação.
Nossa proposta era que, a partir do que se tem visto como tendência no
mundo, cada um apontasse o que deve se tornar viável no Brasil, com
todas as nossas limitações e desafios, em um prazo de 12 meses.
As respostas foram as mais variadas. Foram mencionados desde
equipamentos que devem se popularizar, como uso abundante de tablets e
da computação na nuvem, até conceitos que prescindem da utilização de
uma ou mais tendências, como o desenvolvimento das habilidades
socioemocionais e a educação integral. Com essas contribuições em mãos,
tentamos organizá-las, aproximando as com mais similaridades.
Foi aí que chegamos ao diagrama de conjuntos que desenvolvemos no
infográfico abaixo. A partir dos três grandes temas – personalização,
experimentação e tecnologia – procuramos identificar o que é intrínseco a
cada um dos elementos trazidos pelos especialistas. Por exemplo: os
recursos digitais são, em si, uma tecnologia e, portanto, ele devem
estar neste círculo. Na sequência, fizemos o exercício mental de nos
perguntarmos se eles podem promover a personalização ou a
experimentação. A resposta que encontramos, neste caso, foi sim para os
dois. Um recurso digital pode levar à personalização se for usado para
promover alguma habilidade de forma individualizada, a partir das
necessidades de um aluno. E pode promover a experimentação se for
utilizado em projetos. Portanto, a depender se seu uso, os recursos
digitais poderiam fazer parte de dois círculos ou de três.
Algumas vezes, o elemento do conjunto só estava em uma tendência,
outras vezes a forma como ele é usado poderia relacioná-lo a duas
tendências e, às vezes, a três. Para o Porvir, ele será mais inovador
quanto mais integrar esses três grandes movimentos. Houve casos em que
optamos por não atribuir a possibilidade de envolver as três tendências
não porque não fosse possível, mas porque não é provável que aconteça no
Brasil neste ano ainda. Isso aconteceu com o big data. O termo, que se
refere ao grande volume de dados gerados pelo rastro dos usuários em
determinados sistemas computacionais, é sim capaz de gerar
personalização e experimentação. Mas, a partir da contribuição dos
especialistas, não encontramos indícios de que o big data fosse usado
para experimentação neste ano no Brasil.
Assim, cada elemento foi alocado e classificado no conjunto que agora
propomos a partir das perguntas: esse elemento é de qual natureza? Seu
uso pode proporcionar experiências em outras tendências? Se sim, isso
vai acontecer em 2014? A organização foi feita por uma reflexão coletiva
e não se pretende como definitiva. É muito mais um convite ao debate. E
com essa proposta começamos 2014, esperando que os desafios da educação
deste ano não sejam maiores que nossa vontade de superá-los.
Fonte: Porvir
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